Salão TopictillClube de Bilhar · Guimarães

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Críticas da casa

O Cais do Salão: três jogos de pesca para o fim do serão.

Jogámo-los ao balcão, depois de arrumar os tacos. Aqui fica o que achámos de cada um, sem pressas e sem floreados.

Porquê pesca num salão de bilhar

O canto sossegado da casa.

Um salão vive de concentração: a tacada medida, a vaza contada, o silêncio antes da bola preta. Ao fim da noite, essa concentração precisa de um sítio onde pousar. Foi assim que os jogos de pesca entraram no Salão Topictill — primeiro no telemóvel de um sócio, depois nos de meia equipa.

Escolhemos três, todos gratuitos para instalar e com classificação PEGI 3, e demos a cada um várias noites de teste. Avaliámos o que nos interessa num jogo de fim de serão: se acalma, se respeita o tempo de quem joga e se dá vontade de voltar no dia seguinte. Os apontamentos de cada sessão estão na Caderneta do Pescador.

  1. 01Fishing LifePara desligarLer
  2. 02Creatures of the Deep: PescaPara explorarLer
  3. 03Tides: A Fishing GamePara colecionarLer
Ícone do jogo Fishing Life

Para desligar · pesca contemplativa

Fishing Life

Há jogos que se explicam em duas páginas de regras e há o Fishing Life, que se explica numa frase: lança-se a linha e espera-se. O estúdio Nexelon desenhou tudo à volta dessa espera. O cenário é feito de silhuetas recortadas contra um céu cor de mel, um farol ao fundo, aves em formação, e um pescador que parece tão contente por estar ali como nós depois de fechar a caixa do salão.

A mecânica é mínima e por isso mesmo descansa. Escolhe-se a profundidade, sente-se o puxão, recolhe-se com mão leve. Com o que se apanha melhora-se o equipamento e vai-se mais longe, para águas onde nadam peixes maiores. Não há cronómetro a apertar nem ecrãs aos gritos: a progressão existe, mas nunca empurra.

O que nos conquistou

Primeiro, joga-se sem ligação à internet. No salão isso conta — a rede da cave nunca foi famosa — e em casa significa que nada interrompe o lançamento. Segundo, o som: água a bater no casco e uma música discreta que pede auscultadores. Terceiro, as sessões fecham-se sozinhas; ao fim de dez ou quinze minutos sente-se que chega, como quem pousa o taco depois de uma série limpa.

O que convém saber

Quem procura ação vai achá-lo lento, e é esse o propósito. Existe um modo de competição contra cem pescadores, por rondas, que muda o tom por completo; experimentámo-lo por curiosidade e voltámos ao barco sozinho. É aí que o jogo é melhor.

Veredicto do salão

O mais calmo dos três e o nosso preferido para a última meia hora do dia. Para jogar de luz baixa, sem pressa de chegar a lado nenhum.

Ícone do jogo Creatures of the Deep: Pesca

Para explorar · aventura de pesca

Creatures of the Deep: Pesca

Se o Fishing Life é uma mesa de snooker à luz do candeeiro, o Creatures of the Deep é o salão inteiro em noite de liga: há movimento, há gente, há sempre mais uma sala por abrir. O jogo da Infinite Dreams põe-nos ao leme de um barco visto de cima e larga-nos num mapa de ilhas, cada uma com as suas águas, os seus peixes e as suas surpresas.

A pesca em si continua simples — escolher o sítio, lançar, gerir a tensão da linha — mas à volta dela há uma aventura a sério. Viaja-se entre destinos, do pinhal frio à ilha de areia com pontões, e cada um acrescenta nomes à coleção. São mais de cem peixes e criaturas, e nem tudo o que morde é exatamente um peixe: o título do jogo não engana.

O que nos conquistou

O aquário. Tudo o que se apanha pode ser visto a nadar num tanque enorme, com tubarões, espadartes e raias a cruzarem-se devagar. É o equivalente à nossa vitrina de troféus e dá vontade de completar a prateleira. Gostámos também de ver outros barcos na mesma água: o jogo é multijogador, mas a companhia é discreta e ninguém nos tira o lugar.

O que convém saber

É o mais exigente dos três em atenção e em bateria, e precisa de ligação à internet. Não é jogo para adormecer; é jogo para o serão em que ainda apetece descobrir qualquer coisa. Com 4,7 de avaliação no Google Play, é também o mais bem cotado do nosso cais.

Veredicto do salão

O mais completo do cais. Para quem gosta de mapas, coleções e de saber que há mais gente a pescar na mesma maré.

Ícone do jogo Tides: A Fishing Game

Para colecionar · simulação tranquila

Tides: A Fishing Game

O Tides é o jogo mais pequeno do cais e talvez o mais simpático. A Shallot Games fez dele um passeio de jangada por águas de um azul impossível, com praias de areia clara, palmeiras e rochedos em baixo-relevo. Nada aqui tem arestas: nem o desenho, nem o ritmo, nem as exigências.

Conduz-se a jangada com um polegar, procura-se a sombra de um cardume e lança-se a linha na direção certa. O peixe sobe, entra para o compêndio e a volta continua. Com o que se junta melhora-se o material e chega-se a zonas novas, cada uma com a sua página de espécies por descobrir.

O que nos conquistou

O compêndio é um caderno de argolas, desenhado como os que usamos no balcão para apontar as ligas. Cada zona tem as suas casas vazias e a vontade de as preencher é a única pressão que o jogo exerce. De resto, o Tides deixa-nos em paz: pode pousar-se o telemóvel a meio e retomar no dia seguinte sem ter perdido nada.

O que convém saber

É um jogo curto no fôlego e modesto na ambição, com uma comunidade mais pequena do que a dos outros dois. Quem quiser dezenas de horas de conteúdo encontra-as mais depressa no Creatures of the Deep. Quem quiser dez minutos bonitos antes de apagar a luz, está no sítio certo.

Veredicto do salão

O mais leve dos três. Para colecionadores pacientes e para quem só quer ver água azul durante um bocadinho.