Para desligar · pesca contemplativa
Fishing Life



Há jogos que se explicam em duas páginas de regras e há o Fishing Life, que se explica numa frase: lança-se a linha e espera-se. O estúdio Nexelon desenhou tudo à volta dessa espera. O cenário é feito de silhuetas recortadas contra um céu cor de mel, um farol ao fundo, aves em formação, e um pescador que parece tão contente por estar ali como nós depois de fechar a caixa do salão.
A mecânica é mínima e por isso mesmo descansa. Escolhe-se a profundidade, sente-se o puxão, recolhe-se com mão leve. Com o que se apanha melhora-se o equipamento e vai-se mais longe, para águas onde nadam peixes maiores. Não há cronómetro a apertar nem ecrãs aos gritos: a progressão existe, mas nunca empurra.
O que nos conquistou
Primeiro, joga-se sem ligação à internet. No salão isso conta — a rede da cave nunca foi famosa — e em casa significa que nada interrompe o lançamento. Segundo, o som: água a bater no casco e uma música discreta que pede auscultadores. Terceiro, as sessões fecham-se sozinhas; ao fim de dez ou quinze minutos sente-se que chega, como quem pousa o taco depois de uma série limpa.
O que convém saber
Quem procura ação vai achá-lo lento, e é esse o propósito. Existe um modo de competição contra cem pescadores, por rondas, que muda o tom por completo; experimentámo-lo por curiosidade e voltámos ao barco sozinho. É aí que o jogo é melhor.
O mais calmo dos três e o nosso preferido para a última meia hora do dia. Para jogar de luz baixa, sem pressa de chegar a lado nenhum.







